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Suheil
Qual foi a trajetória para conquistar o posto de primeira e única brasileira a compor a equipe Bellydance Superstars? Suheil--> Bom, na verdade, fui “Qualificada” pelo grupo (ganhei a competição até a final, na época), mas desde que passei a participar do Bellydance Evolution (novo grupo de Jillina) ainda não havia chegado a compor a equipe das BDSS. De qualquer forma, a trajetória foi a mesma a que me propus para tudo que faço na vida: dedicação, seriedade, esforço entusiástico, ações do bem para com meus companheiros, ética. Se colocamos nosso foco numa vida voltada ao bem, seguramente o bem virá a nós, seja na forma de realização de nossos sonhos ou nos dando oportunidades.
O que este título representa para você? Suheil--> Naquele momento foi muito importante, pois como sempre tive um “estilo diferente”, como sempre disseram (quase nunca em caráter de elogio!), o reconhecimento de meu trabalho na terra dos artistas (Hollywood), uma cucaracha na terra do Tio Sam, como costumo brincar, foi uma injeção de ânimo para permanecer em meu caminho sem ceder a modismos ou perder a minha verdadeira essência, a forma como me expresso dançando, que acredito ser o que tenho de mais precioso em minha arte. Então acabou sendo um bom divisor de águas: fui firme e mantive meu foco em meu trabalho, independente das críticas na época. Hoje quando olho pra trás, vejo que de alguma forma esse título, claro, também engrandeceu o meu curriculum. Como é ser o 'braço direito' da bailarina americana Jillina aqui no Brasil?
Suheil--> Nada fácil, mas muito prazeroso. Jillina é um exemplo de profissional, me ensina muita coisa. Cada segundo ao lado dela é um aprendizado. Não é fácil atingir o seu grau de exigência, ela é muito rigorosa e disciplinada com tudo, com detalhes. Mas temos uma cumplicidade, sei lá, algo que eu olho pra ela e já leio em seus olhos o que ela precisa, nem necessita me falar! (Rs) Com isso, sei que ela confia muito em mim, o que é super gratificante! Por outro lado, construímos uma amizade e isso faz tudo valer a pena. Ensiná-la a falar português, a sambar, passear com “a gringa” na rua 25 de março… enfim, apesar de ser uma “Diva”, ela é uma pessoa divertidíssima, simples, assim como nós “pobres mortais”. (Rs)
Você possui uma coletânea de DVDs que reúne seus 30 anos de experiência na dança, a fim de disseminar seu conhecimento, num formato bem didático e descontraído. Ao longo dos anos, angariando dúvidas de alunas, para você, qual é a maior dificuldade de compreensão desse público tão sedento por informação?
Suheil--> Acho que a grande dúvida é quanto à seriedade do nosso trabalho. O meio da dança do ventre ainda é muito confuso no “quem é quem”, na hierarquia mesmo! Como venho das raízes do ballet clássico, aprendi desde muito cedo, muitas coisas que vejo serem ignoradas dentro deste nosso meio, o que faz as coisas ficarem muito confusas. Exemplos: “Quem é boa professora e quem não é? Esse passo é assim ou assado? Porque a fulana disse que isso não se faz assim, mas assado? Aprendo a dançar em 3 meses, em 2 anos ou vou levar mais de 5 anos?” É a guerra do ego contra a sabedoria desvalorizada. Muito complicado quando não se respeita o conhecimento, principalmente em se tratando de arte. Aí fica aquela coisa de que arte é livre e então vale-tudo.
Como surgiu a idéia de introduzir a Dança do Ventre na TV Brasileira*? A proposta foi da rede de televisão ou sua? Foi difícil adaptar o formato para alcançar uma grande massa sem estar presente para explicar possíveis confusões? O método acadêmico veio antes ou depois?
Suheil--> Levar a dança pra tv era um sonho antigo. Quando apareceu a oportunidade abracei com unhas e dentes, como se diz. No começo era complicado, tive que chegar ao ponto de explicar ao câmera que não queria foco na fenda do meu macacão, muito menos no meu sorriso, que tinha que mostrar o que eu fazia. Tinha que dizer que não podia ser sexy, brigar para usar macacões e não expor meu corpo, foi uma luta pra tudo, principalmente pra mostrar que aquilo era arte e cultura e não rebolation com mulher fruta! (Rs) Também não tinha patrocinador, então era tudo ao vivo! Depois melhorou. Quando a audiência cresceu ganhei diretor, vinheta, programas gravados… Aí foi lindo! (Rs) Uma experiência engrandecedora. Espero um dia poder voltar às telas; quem sabe em outra emissora.
Já o Método Acadêmico veio bem antes! A idealização do método começou por volta de 1989 quando comecei a ministrar por minha conta, já fora da escola da Shahrazad (minha primeira professora com muita honra!). Foram anos de elaboração até que comecei a colocá-lo em prática em 1999. Já são 11 anos de prática aplicada e hoje tenho professoras representantes (credenciadas) do método em Ubatuba, Caraguatatuba e Taubaté (SP), Brasilia (DF), Florianópolis (SC), Aracaju e Arauá (SE), Paraty (RJ) e até o fim deste ano mais 5 cidades incluindo o Rio de Janeiro. Rezo a Deus que este trabalho se prolifere mais! (*TV Caju, em Aracaju/SE.)
Gostaria de deixar algum recado para nossos leitores? Suheil--> Gostaria de pedir as bailarinas um pouco mais de união e respeito em nosso setor. Menos ego e mais estudo. Menos fofocas e mais críticas construtivas. Menos despeito e mais respeito às nossas diferenças. A beleza de nossa dança está justamente na diferença de nossas histórias de vida, que devem se refletir em nossas emoções e consequentemente em nossa dança. Chega de cópias. Chega de padrões. Chega de cara feia. Vamos reconhecer o trabalho de nossas colegas e aplaudi-lo, pois estamos na mesma batalha e estamos do mesmo lado. Como querer ser aplaudida se você mesma não aplaude? Uni-vos. Aos leitores leigos, peço que tentem olhar com o coração mais aberto a nossa arte, que não está aqui para enaltecer a mulher fruta ou o corpo perfeitamente delineado, mas acima de tudo para engrandecer o bem estar da mulher em sua plenitude, com suas formas, seus estilos e sua alegria de viver e de ser feliz por sua condição única e simples, de ser MULHER.
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